Maio'22
Decreased risk of treatment failure with vedolizumab and thiopurines combined compared with vedolizumab monotherapy in Crohn’s disease

Kirchgesner J, Desai RJ, Schneeweiss MC, Beaugerie L, Schneeweiss S, Kim SC

Gut. 2022 Apr 6:gutjnl-2022-327002
doi: 10.1136/gutjnl-2022-327002
PMID: 35387877


Highlights


A eficácia da combinação de vedolizumb com tiopurinas permanece controversa. Na ausência de ensaios planeados para esclarecer esta questão, os autores utilizaram registos de base-populacional para emular dois ensaios pragmáticos com o objetivo de comparar a efetividade do vedolizumab combinado com azatioprina versus vedolizumab em monoterapia em doentes com doença de Crohn (DC) ou colite ulcerosa (CU).

Este estudo foi baseado em 2 bases de dados francesas e norte-americanas, aplicando os critérios utilizados no SONIC e SUCCESS, com uma metodologia previamente validada. O risco relativo de falência de tratamento (baseado na ocorrência de hospitalizações ou intervenções cirúrgicas relacionadas com a doença, mudança de tratamento ou utilização prolongada de corticosteroides) foi calculado após emparelhamento (“propensity score matching” 1:1).

Foram analisados 804 e 1088 pares de indivíduos com DC e CU, respetivamente. A falência terapêutica às 26 semanas ocorreu em 29,3% e 34,3% dos doentes com DC medicados com vedolizumab + azatioprina ou vedolizumab em monoterapia, respetivamente. Nos doentes com CU a falência terapêutica ocorreu em 21,7% e 24,2% 16 semanas após início de terapêutica combinada ou vedolizumab em monoterapia, respetivamente. A estratégia combinada associou-se a um risco significativamente menor de falência terapêutica na DC (RR 0,85, 95% CI: 0,74 a 0,98). De notar que o risco de falência à terapêutica combinada tendia a ser menor nos doentes com DC previamente expostos a fármacos anti-TNF (risco relativo 0,90 [95%CI 0,77-1,05] versus 1,26 [95%CI 0,71-2,25] nos doentes naïve a anti-TNF). No que diz respeito à CU, os riscos de falência terapêutica, hospitalização, mudança para outro fármaco e necessidade de corticosteroides não foram significativamente diferentes entre os dois esquemas de tratamento. De salientar que o risco de infeções graves foi semelhante nas duas estratégias de tratamento tanto para a DC como para a CU.

Ainda que os resultados reportados por estes autores tornem apelativa a combinação do vedolizumab com azatioprina, algumas questões permanecem por esclarecer, designadamente qual a dose ótima a coadministrar e o tempo que a combinação deve ser mantida, bem como qual o motivo inerente à maior eficácia na DC em comparação com a CU. Apesar de não se terem verificado diferenças nas taxas de infeção, será de questionar se o uso da estratégia combinada limitará uma das grandes vantagens do vedolizumab que é o seu perfil de segurança, tendo em conta os eventos adversos que se sabe estarem associados às tiopurinas.

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