Novembro'21
Exposure to corticosteroids in pregnancy is associated with adverse perinatal outcomes among infants of mothers with inflammatory bowel disease: results from the PIANO registry

Florence-Damilola Odufalu, Millie Long, Kirk Lin, Uma Mahadevan, PIANO Investigators from the Crohn’s and Colitis Foundation (CCF) Clinical Research Alliance recruited patients for their respective centers for participant enrollment

Gut 2021 Oct 22;gutjnl-2021-325317. doi: 10.1136/gutjnl-2021-325317.

Highlights

· O uso prolongado de corticoides durante a gravidez já foi associado a eventos adversos para a mãe, feto e recém-nascido. A base de dados PIANO – Pregnancy in Inflammatory Bowel Disease and Neonatal Outcomes registry – corresponde a uma grande coorte prospetiva e multicêntrica Americana de doentes com DII grávidas. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da exposição a corticoides in utero nas complicações obstétricas, malformações congénitas, infeções e desenvolvimento neurocognitivo do recém-nascido.

· Os dados referentes à mãe incluídos na base de dados PIANO foram obtidos através de questionário (telefónico, email, ou avaliação presencial). Foram recolhidos dados sociodemográficos e dados clínicos, nomeadamente medicação e exposição a corticoides. Estes dados foram registados pre-conceção, a cada trimestre de gravidez e à data do parto. A atividade da DII foi auto-reportada pela doente através do preenchimento de scores validados: Harvey Bradshaw Index para a DC e Simple Clinical Colitis Activity Inex (SCCAI) para a CU e colite não classificada (IBDU). Os dados referentes ao bebé incluídos na base de dados PIANO, nomeadamente infeções, malformações e etapas de desenvolvimento, foram obtidos através de questionário (telefónico, email, ou avaliação presencial) à data do parto e aos 4, 9 e 12 meses.

· Foram recolhidos dados de 1712 grávidas com DII, sendo que 1490 tiveram uma gravidez completa. Nesta coorte, 62% das mulheres tinham DC, 36% UC e 2% IBDU. Quatrocentas e trinta e duas mulheres reportaram exposição a corticoterapia e os grupos expostos e não expostos eram semelhantes em relação à restante terapêutica seja com imunomoduladores ou biológicos.

· Relativamente às complicações obstétricas, verificou-se uma taxa superior de parto pré-termo (13% vs 8%, p=0.008), bebés pequenos ao nascimento (6% vs 4%, p=0.03), baixo peso ao nascimento (10% vs 6%, p=0.008), restrição do crescimento uterino (3% vs 2%, p=0.03) e admissão em cuidados intensivos neonatais (13% vs 9%, p=0.03) no grupo exposto a corticoides preconceção ou durante a gravidez. Sub-análises de acordo com o tipo de DII, a formulação corticoide (retal ou outras) e o tabagismo materno apresentaram resultados semelhantes. Modelos de regressão ajustados para a demais terapêutica (biológicos, terapêutica combinada ou imunomoduladores em monoterapia) verificaram que o grupo exposto continuava a apresentar maior taxa de parto pré-termo (OR 1.79, 95%C 1.18-2.73), baixo peso ao nascimento (OR 1.76, 95%C 1.07-2.88) e admissão em cuidados intensivos neonatais (OR 1.54, 95%C 1.03-2.30). Estes resultados voltaram a verificar-se incluindo apenas mulheres sem clínica de atividade da doença de acordo com os scores de atividade.

· Relativamente às infeções neonatais, utilizando modelos de regressão ajustados para a presença de parto pré-termo e atividade clínica da DII, não se verificou um risco superior nos bebés de mães expostas a corticoterapia. No entanto, a corticoterapia tardia na gravidez (segundo e/ou terceiro trimestre) foi associada a um risco significativo de infeções neonatais severas com necessidade de hospitalização.

· Globalmente, não se verificou uma taxa superior de malformações congénitas em bebés de mães expostas (10% vs 9%, p=0.37) e não se verificou impacto da corticoterapia no desenvolvimento neurocognitivo dos bebés. A referir um maior número de casos de defeitos orofaciais no grupo de bebés de mães que receberam terapêutica com corticoides pré-conceção ou no primeiro trimestre de gravidez.

· Como limitações do estudo, a referir a difícil separação entre os fenómenos “doença ativa” e “exposição a corticoides” uma vez que estes se sobrepõem na maioria das vezes. Adicionalmente, a atividade clínica da doença foi auto-reportada e não foram usados marcadores objetivos de atividade como a calprotectina fecal ou a avaliação endoscópica, avaliação esta que é aliás raramente realizada na doente grávida.

· Os resultados deste estudo demonstram a importância do controlo da atividade da doença antes e durante a gravidez com fármacos poupadores de corticoides. Os imunomoduladores e a terapêutica biológica não se associaram a complicações obstétricas ou neonatais. A remissão da doença livre de corticoides deve ser confirmada antes da conceção e a terapêutica de manutenção deve ser mantida durante a gravidez sempre que possível, no sentido de evitar agudizações e necessidade de corticoterapia.

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