Setembro'21

Effectiveness of SARS-CoV-2 Vaccination in a Veterans Affairs Cohort of Patients With Inflammatory Bowel Disease With Diverse Exposure to Immunosuppressive Medications

Khan and Mahmud. Gastroenterology, 2021 Sep;161(3):827-836.


Highlights do Artigo

  • Os indivíduos medicados com imunossupressores, como acontece numa grande percentagem dos doentes com Doença de Crohn ou Colite Ulcerosa, foram excluídos dos ensaios clínicos das vacinas contra o vírus SARS-CoV-2. Ainda que os dados atuais indiquem que os doentes com doença inflamatória intestinal (DII) não apresentam risco aumentado de contrair infeção ou complicações da COVID-19, é importante considerar que um terço destes doentes têm idade superior a 65 anos e comorbilidades que se sabe conferirem mau prognóstico, como doença cardiovascular ou diabetes.
  • No sentido de colmatar a ausência de evidência em doentes com DII e medicados com terapêuticas modificadoras da função imunológica, este estudo teve como objetivo explorar a efetividade em contexto de prática clínica real da vacinação contra a COVID-19 em doentes com DII. Para tal, foi conduzido um estudo coorte retrospetivo incluindo doentes do maior subsistema integrado de saúde da América, que inclui mais de 9 milhões de indivíduos. Utilizaram-se os métodos de ponderação de probabilidade inversa e regressão de Cox, e avaliou-se a efetividade usando as taxas de incidência.
  • Foram incluídos 14.697 doentes com diagnóstico de DII prévio a Dezembro de 2020; destes, 62% tinham colite ulcerosa e 92% eram do sexo masculino, a mediana de idade era 68 anos. Cerca de metade (n=7321) haviam sido submetidos a pelo menos uma dose de vacina (Pfizer ou Moderna); 90% tinha vacinação completa no final do seguimento.
  • Foi recolhida informação referente à medicação utilizada pelos doentes com DII nos três meses prévios ao diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2, incluindo mesalazina isolada (55%), tiopurinas (11%), metotrexato (2%), anti-tumor necrosis factor alfa (em monoterapia [19%] ou em combinação com imunossupressores [4%]), vedolizumab (7%), ustekinumab (1%) ou tofacitinib (1%). Separadamente, obteve-se informação sobre a exposição a corticoides no mesmo período temporal (7% estiveram expostos).
  • O outcome primário em análise foi o tempo até infeção por SARS-CoV-2, diagnosticada por PCR, até Abril de 2021. Os outcomes secundários foram mortalidade por qualquer causa e infeção grave por SARS-CoV-2 (definida como hospitalização ou morte associada a COVID-19).
  • Os doentes não vacinados apresentaram a taxa mais elevada de infeção (1.3%). Esta taxa foi de 0.3% nos doentes que receberam apenas uma dose da vacina, correspondendo a uma efetividade de 25.1%. Sete casos de infeção por SARS-CoV-2 ocorreram em doentes que tinham vacinação completa - taxa de infeção 0.1%, efetividade 80.4%. Destes, quatro estavam medicados apenas com mesalazina, um com tiopurinas, outro com vedolizumab e outro com ustekinumab. Não se observaram interações significativas dos fatores i) exposição a corticoide, ii) uso de imunossupressores versus mesalazina isolada; iii) marca da vacina (p>0.05).
  • A efetividade obtida neste estudo foi inferior à descrita numa população mais diversa e sem DII, sobretudo nos casos em que foi tomada apenas uma dose, o que reforça a importância das duas tomas nestes doentes, em que a capacidade de montar resposta serológica pode estar ligeiramente diminuída.
  • Os indivíduos não vacinados apresentaram uma proporção mais elevada de infeção grave (0.3%) e mortalidade por qualquer causa (0.6%), em comparação com os grupos submetidos a vacinação parcial ou completa.
  • A vacinação completa, mas não a vacinação parcial, associou-se a uma diminuição significativa da incidência de infeção por SARS-CoV-2 (redução de 69% no hazard ratio). Não se verificaram diferenças significativas entre classes de imunossupressores. Este estudo, englobando uma quantidade grande de doentes, é o primeiro a fornecer evidência da boa efetividade da vacina em doentes com DII, em contexto real.




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